Acontece com todos nós – astrônomos profissionais, amadores ativos e
curiosos preguiçosos. É só falarmos a alguém de nosso interesse nos céus
e rapidamente nos vemos arrastados a um debate sobre astrologia. Para
muitos de nós é difícil saber como reagir educadamente a alguém que leva
a sério essa antiga superstição. Qualquer pessoa está sujeita a se
envolver numa discussão sobre o valor e a eficácia da astrologia. Assim,
eis aqui um guia de fácil acesso para algumas das respostas que se pode
dar às alegações dos astrólogos. A base da astrologia não poderia ser
mais simples: o caráter e o destino de uma pessoa podem ser entendidos a
partir das posições do Sol, da Lua e dos planetas no instante do
nascimento. Interpretando a posição desses corpos celestes, mediante o
uso de um mapa chamado horóscopo, os astrólogos alegam, prever e
explicar o curso da vida e ainda ajudar pessoas, empresas e até nações
em decisões de grande importância. Diariamente, milhares de pessoas
baseiam cruciais decisões médicas, profissionais e pessoais em conselhos
recebidos de astrólogos e de publicações dedicadas à astrologia.
A Astrologia (do grego astron, “astros”, “estrelas”, “corpos
celestes”, e logos, “palavra”, “estudo”) é uma crença segundo a qual as
posições relativas dos corpos celestes poderiam, hipoteticamente, prover
informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros
assuntos mundanos. É, como tal, uma atividade divinatória, quando usada
como oráculo, mas também pode ser usada como ferramenta para definição
das personalidades humanas. Jung em seus estudos chamava a este conceito
de sincronicidade.
 |
| Ptolomeu |
Os registros mais antigos sugerem que a Astrologia surgiu no terceiro
milênio A.C.. Ela teve um importante papel na formação das culturas, e
sua influência é encontrada na Astronomia antiga, nos Vedas, na Bíblia, e
em várias disciplinas através da história. De fato, até a Era Moderna,
Astrologia e astronomia eram indistinguíveis. A Astronomia começou a
divergir gradualmente da Astrologia desde o tempo de Ptolomeu, e essa
separação culminou no século XVIII com a remoção oficial da Astrologia
do meio universitário. Só no século XX é que a Astrologia retomou a
algumas universidades – nomeadamente nos EUA – após desenvolver-se
naquilo que é hoje chamado de Astrologia contemporânea.
Os corpos celestes, na Antiguidade, pareciam ser deuses ou espíritos
importantes ou, pelo menos, símbolos ou representantes de personagens
divinos, que pareciam passar o tempo mexendo com as vidas diárias dos
seres humanos. As pessoas procuravam ansiosamente no céu sinais que lhes
permitissem descobrir o que os deuses fariam em seguida.
Considerado nesse contexto, um sistema que relacionasse os planetas
brilhantes e as constelações zodiacais às significativas questões da
vida tinha tudo para ser atraente e tranquilizador. E mesmo hoje, apesar
de tantos esforços empregados no ensino e na divulgação da ciência,
para muita gente o apelo da astrologia não diminuiu. Para essas pessoas,
pensar no planeta Vênus como um mundo deserto, coberto de nuvens e
quente como um forno é muito menos sedutor do que vê-lo como uma fonte
de ajuda na hora de decidir um casamento. Os astrólogos afirmam que o
movimento e posições dos corpos celestes podem influenciar diretamente,
ou representar, eventos na Terra e em escala humana. Alguns astrólogos
definem a Astrologia como uma linguagem simbólica, uma forma de arte, ou
uma forma de vidência, enquanto outros definem como ciência social e
humana. A comunidade científica considera que a Astrologia é uma
pseudociência ou superstição, uma vez que, até hoje, nenhum astrólogo
apresentou evidências oficiais acerca da eficácia de seus métodos.
 |
| Uma amostra da população |
Uma boa maneira de começar a pensar na perspectiva astrológica é dar
uma olhada cética, mas bem-humorada, nas consequências lógicas de
algumas de suas alegações. Aqui estão minhas dez perguntas favoritas aos
defensores da astrologia.
Qual a probabilidade de que 1/12 da população mundial esteja tendo o mesmo tipo de dia?
Os astrólogos que publicam horóscopos nos jornais (que aparecem em
mais de 1200 diários, só nos Estados Unidos) asseguram que você pode
saber algo sobre seu dia lendo um dos doze parágrafos no seu matutino
predileto. Uma divisão elementar mostra que 400 milhões de pessoas pelo
mundo afora terão o mesmo tipo de dia, todo santo dia. Dada a
necessidade de atender a tantas expectativas ao mesmo tempo, torna-se
claro o motivo pelo qual as previsões astrológicas vêm acondicionadas em
um palavreado o mais vago e o mais genérico possível.
Por que a hora do nascimento, e não a da concepção é crucial para a astrologia?
A astrologia parece científica para algumas pessoas porque o
horóscopo é baseado em um dado exato: o tempo do nascimento de cada um.
Quando a astrologia foi estabelecida, há muito tempo, o instante do
nascimento era considerado o ponto mágico da criação da vida. Mas hoje
entendemos o nascimento como o ponto culminante de um desenvolvimento
ininterrupto de nove meses dentro do útero. Tanto assim que atualmente
cientistas acreditam que muitos aspectos da personalidade de uma criança
são estabelecidos muito antes elo nascimento. Suspeito que o motivo
pelo qual os astrólogos ainda se mantêm fiéis ao momento do nascimento
tem pouco a ver com a “teoria” astrológica. Quase todo cliente sabe
quando nasceu, mas é difícil (e talvez embaraçoso) identificar o momento
da concepção de uma pessoa.
Se o útero da mãe pode afastar influências astrológicas até o
nascimento, será que podemos fazer a mesma coisa com um pedaço de filé?
Se forças tão poderosas emanam do céu, por que elas são inibidas antes
do nascimento por uma fina camada protetora feita de músculo, carne e
pele? Se o horóscopo potencial de um bebê for insatisfatório, será que
poderíamos retardar a ação das influências astrológicas circundando
imediatamente o recém-nascido com um naco de carne até que os Signos
celestiais fiquem mais auspiciosos?
Se os astrólogos são tão bons quanto afirmam, por que eles não são mais ricos?
Alguns astrólogos respondem que não podem prever eventos específicos,
apenas tendências amplas. Outros alegam ter o poder de prever grandes
eventos, mas não pequenos acontecimentos. Mas, seja como for, os
astrólogos poderiam ganhar bilhões prevendo comportamento geral do
mercado de ações ou do mercado futuro de ouro – assim não precisariam
cobrar consultas tão caras de seus clientes. Em outubro de 1987, quantos
astrólogos previram a Segunda-Feira Negra na Bolsa de Valores de Nova
York e advertiram seus clientes a respeito?
Estarão incorretos todos os horóscopos feitos antes da descoberta
dos três planetas mais distantes (e o posterior rebaixamento de
Plutão)?
 |
| Plutão e Caronte |
Alguns astrólogos afirmam que o signo do Sol (a localização do Sol no
zodíaco no instante do nascimento), usado exclusivamente por muitos
horóscopos de jornais, é um guia inadequado para os efeitos do Cosmo.
Esses praticantes “sérios” (geralmente aqueles que perderam o lucrativo
negócio das colunas de astrologia na imprensa) insistem que a influência
de todos os corpos principais no sistema solar deve ser levada em
consideração – incluindo Urano, Netuno e Plutão, que somente foram
descobertos em 1781, 1846 e 1930, respectivamente. Nesse caso, o que
será que acontece com a alegação de alguns astrólogos, segundo a qual
sua arte tem permitido previsões corretas durante muitos séculos? Não
estarão errados todos os horóscopos traçados antes de 1930? E por que as
imprecisões dos antigos horóscopos não levaram os astrólogos a deduzir a
presença de Urano, Netuno e Plutão muito antes que os astrônomos os
descobrissem? E que acontecerá se os astrônomos descobrirem um décimo
planeta? E que dizer dos asteroides e das luas do tamanho de planetas,
localizados na periferia do sistema solar?
Não deveríamos condenar a astrologia como uma forma de intolerância?
Numa sociedade civilizada, deploramos todos os sistemas que julgam os
indivíduos meramente pelo sexo, cor da pele, religião, nacionalidade ou
por quaisquer outros acasos de nascimento. No entanto, os astrólogos
alardeiam que podem avaliar as pessoas baseados em outro acaso de
nascimento – as posições dos corpos celestes. Será que a recusa em
namorar alguém do signo de Leão ou de empregar alguém de Virgem não é
tão condenável quanto a recusa em namorar um protestante ou dar emprego a
um negro?
Por que diferentes escolas de astrologia discordam tão frontalmente entre si?
Os astrólogos parecem discordar em relação às questões mais
fundamentais de seu ofício: levar ou não em conta a precessão (o
movimento) do eixo da Terra, quantos planetas e outros corpos celestes
devem ser incluídos e principalmente – que traços de personalidade devem
ser atribuídos aos fenômenos cósmicos. Leiam-se dez colunas diferentes
sobre astrologia, ou consultem-se dez diferentes astrólogos e
provavelmente se sairá com dez interpretações diferentes. Se a
astrologia fosse uma ciência, como seus proponentes sustentam, por que
seus praticantes não estão convergindo para uma teoria consensual depois
de milhares de anos de coleta de dados e de refinamento de sua
interpretação? Ideias científicas geralmente convergem com o passar do
tempo, na medida em que são testadas em laboratórios e cotejadas com
outras evidências. Em contraste, sistemas baseados em superstição ou em
crença pessoal tendem a divergir, pois seus praticantes vão esculpindo
nichos separados enquanto se acotovelam na disputa por poder, riqueza ou
prestígio.
Se a influência astrológica é exercida por alguma força conhecida, por que os planetas dominam?
Se os efeitos da astrologia podem ser atribuídos à gravidade, à força
das marés ou ao magnetismo (cada qual invocado por uma escola
diferente), mesmo um calouro em Física poderia realizar os cálculos
necessários para ver o que realmente afeta um recém-nascido. Esses
cálculos estão formulados para muitos casos diferentes no livro
Astrology: frue or false (Astrologia: verdade ou mentira, não editado no
Brasil), de Roger Culver e Philip Ianna.
Por exemplo, o obstetra que faz o parto exerce um força gravitacional
cerca de seis vezes superior à Marte e cerca de dois trilhões de vezes
maior do que a da maré. O médico pode ter muito menos massa do que o
planeta vermelho, mas estará muito mais perto do bebê.
Se a influência astrológica é exercida por uma força desconhecida, por que não depende da distância?
Todas as forças de longo alcance conhecidas no Universo ficam mais
fracas à medida que os objetos se distanciam. Mas, como seria de esperar
de um sistema que tivesse a Terra no sue centro, imaginado há milhares
de anos, as influências astrológicas não dependem em nada da distância. A
importância de Marte em um dado horóscopo é idêntica, esteja o planeta
do mesmo lado do Sol que a Terra ou sete vezes mais distante, do outro
lado. Uma força independente da distância seria uma descoberta
revolucionária.
Se a influência astrológica não depende da distância, por que não existe astrologia de estrelas, galáxias e quasares?
 |
| Nebulosa Caranguejo |
O astrônomo francês Jean-Claude Pecker observou que os astrólogos
parecem ter uma mente muito estreita quando limitam seu ofício a nosso
sistema solar. Bilhões de estupendos corpos espalhados por todo o
Universo deveriam somar sua influência à dos nossos pequenos Sol, Lua e
planetas. Será que um cliente, cujo horóscopo omite seus efeitos de
Rigel, do pulsar do Caranguejo e da galáxia M31, recebeu um mapa
astrológico realmente completo?
Mesmo se concedermos aos astrólogos o benefício da dúvida em todas
essas questões – aceitando que possam existir influências astrológicas
além de nosso conhecimento atual do Universo -, há um devastador
pormenor final. A astrologia simplesmente não funciona. Muitos testes
comprovaram que, a despeito de suas alegações, os astrólogos não podem
prever coisa alguma. Afinal de contas, não precisamos saber como algo
funciona para perceber se funciona. Durante as duas últimas décadas,
enquanto os astrólogos sempre estavam de alguma forma muito ocupados
para conduzir testes estatisticamente válidos de seu trabalho,
cientistas físicos e sociais o fizeram por eles. Consideremos alguns
estudos representativos.
O psicólogo Bernard Silverman, da Universidade de Michigan, estudou
as datas de nascimento de 5956 pessoas que estavam casando e de 956
outras que estavam se divorciando. A maioria dos astrólogos afirma que
podem ao menos prever quais os signos astrológicos compatíveis ou
incompatíveis quando se trata de pessoas. Silverman comparou tais
previsões com os registros reais e não encontrou nenhuma correlação.
Homens e mulheres com “signos compatíveis” casaram e se divorciaram com a
mesma frequência de casais com “signos compatíveis”. Muitos astrólogos
insistem que o signo do Sol de uma pessoa se relaciona fortemente com a
escolha de sua profissão. Realmente, o aconselhamento vocacional é uma
importante função da moderna astrologia. O físico John McGervey, da
Universidade Case western Reserve, de Cleveland, analisou biografias e
datas de nascimentos de cerca de 6 mil políticos e 17 mil cientistas
para ver se os membros dessas profissões estariam agrupados em certos
signos, como os astrólogos predizem. Ele verificou que os signos de
ambos os grupos se distribuíam completamente ao acaso.
 |
| Mapa astral |
Para superar as objeções que seriam levantadas por astrólogos que
acham que apenas o signo é insuficiente para uma avaliação, o físico
Shwan Carlson, do Laboratório Lawrence Berkley, realizou um engenhoso
experimento. Grupos de voluntários foram solicitados a dar as
necessárias informações para a preparação de um horóscopo completo e a
preencher o chamado California Personality lnventory, um questionário
padrão empregado pelos psicólogos, que trabalha apenas com o mesmo tipo
de termos descritivos, genéricos e amplos que os astrólogos utilizam.
Uma “respeitada” organização astrológica construiu horóscopos para os
voluntários enquanto 28 astrólogos profissionais, que haviam aprovado o
procedimento antecipadamente, receberam cada qual um horóscopo e três
perfis de personalidade, um dos quais pertencia ao sujeito do horóscopo.
A tarefa deles era interpretar o horóscopo e determinar a qual dos três
perfis ele correspondia.
Embora os astrólogos tivessem previsto um resultado superior a 50 por
cento de acertos, o resultado final, em 116 tentativas, foi de apenas
34 por cento de acertos – exatamente o que se pode esperar de simples
palpites. Carlson publicou seus resultados na edição de 5 de dezembro de
1985 da revista científica Nature, para grande constrangimento da
comunidade astrológica. Outros testes mostram que pouco importa o que
diga um horóscopo, desde que a pessoa sinta que as interpretações foram
feitas para ela, pessoalmente. Poucos anos atrás, o estatístico francês
Michel Gauquelin enviou a 150 pessoas o mapa astral de um dos piores
assassinos da história francesa e perguntou-lhes se elas se
identificavam com aquela descrição. Noventa e quatro por cento das
pessoas responderam que se reconheciam naquele mapa.
Os astrônomos Culver e Ianna verificaram que, de mais de 3 mil
previsões de astrólogos conhecidos (muitas das quais sobre políticos,
artistas de cinema e outras pessoas famosas), somente cerca de 10 por
cento deram certo. Se as estrelas levam os astrólogos a nove previsões
incorretas em cada dez tentativas, elas dificilmente podem ser
consideradas como guias confiáveis para quaisquer decisões.
Evidentemente, aqueles de nós que amam a Astronomia não podem
simplesmente esperar que desapareça a paixão desenfreada do público pela
astrologia. Devemos nos manifestar contra ela, sempre que necessário ou
apropriado, debatendo as suas deficiências e encorajando um interesse
pelo Cosmo real, de mundos e sóis remotos, que piedosamente não estão
preocupados com as vidas e os desejos das criaturas do planeta Terra.
Não devemos permitir que mais uma geração de jovens cresça algemada a
uma antiga fantasia, resquício de um tempo em que o homem se encolhia
perto do fogo, com medo da noite.
Argumentos contra a astrologia
Uma vez que alguns astrólogos afirmam ser capazes de fazer previsões
sobre o futuro, deve ser possível elaborar um método para medir a
precisão destas previsões. Aqui vários céticos acreditam que se poderia
usar o mesmo método usado para a Meteorologia que é usada para prever o
tempo. Contudo, os astrólogos negam este tipo de teste argumentando que o
fator humano presente no trabalho astrológico não permite uma
comparação legítima às ciências exatas, mas sim às ciências sociais e
humanas, tais como a Psicologia e Sociologia. Até hoje, a nível oficial,
nenhum astrólogo apresentou um teste às capacidades preditivas da
astrologia, e os testes feitos por terceiros não demonstraram que o grau
de precisão das técnicas testadas fosse superior ao do puro acaso.
Outros astrólogos afirmam que a astrologia não é usada para prever o
futuro, e sim para guiar e orientar os seus clientes através do seu
potencial revelado no horóscopo. Ainda assim, testes usando dois grupos
de controle mostraram que o grau de precisão de um astrólogo, ao
combinar um horóscopo com o perfil de um cliente, não é maior que uma
pessoa leiga fazendo as mesmas associações. Por outro lado, outros
testes, como aquele executado pelo famoso cético Michael Sherner ao
astrólogo védico mostram exatamente o oposto.
 |
| Lua |
Alguns astrólogos, por vezes, usam argumentos científicos para
explicar suas práticas. Por exemplo, costuma-se dizer que, como a Lua
causa as marés na Terra, é razoável acreditar que a força gravitacional
de outros corpos celestes, mais pesados como os planetas pode nos afetar
também. Este argumento é inválido por duas razões:
O puxão gravitacional de um planeta como Saturno, com massa 90 vezes
maior que a da Terra, em uma pessoa daqui da Terra é igual ao puxão
gravitacional de um carro a 1,7 metros desta pessoa. Ainda assim os
astrólogos não parecem interessados na posição dos carros na hora do
nascimento de ninguém, ou mesmo se a pessoa nasceu em um estacionamento.
Esses astrólogos não oferecem qualquer explicação plausível e
testável de como a força gravitacional pode afetar a personalidade de
uma pessoa, por que somos suscetíveis ao efeito gravitacional durante o
nascimento nem de como uma influência gravitacional no passado pode
afetar nosso destino futuro.
Outra tentativa de explicação científica para a Astrologia é a de que
os corpos celestes pesados afetam o campo magnético da Terra e que o
campo magnético da Terra de alguma forma, afeta a pessoa durante o
nascimento. O problema é que o campo magnético da Terra é extremamente
fraco se comparado com outras fontes. Ele varia de 0,3 Gauss a 0,6 Gauss
dependendo do ponto na Terra. Pode-se ter um campo magnético muito
maior que este usando-se apenas um imã de geladeira.
 |
| Roda do zodíaco |
O sistema do Zodíaco tropical, usado pela maioria dos astrólogos no
ocidente, não se alinha com as constelações do mesmo nome. Isto induz a
maioria dos céticos a fazerem uma associação entre a faixa de
constelações real e aquela usada pelos astrólogos. Contudo, não há
qualquer associação entre os dois. As constelações sempre tiveram
tamanhos diferentes entre si, enquanto os signos são – e sempre foram –
de 30º exatos. Parte da razão pela qual este mito persiste se deve ao
fato de muitos astrólogos falarem frequentemente dos signos pelo termo
“constelação”.
Como resultado da confusão entre constelação e signo, a constelação
de Serpentário (ou Ofiúco) é muitas vezes referida como a 13º
constelação do zodíaco.
A astrologia antiga conhece apenas até o planeta Saturno e os
trans-saturnianos foram batizados por não astrólogos, assim é difícil
para a maioria dos céticos crerem que possam ser usados nas análises
modernas. A maioria dos astrólogos modernos reconhece Plutão como
planeta principal, e procuram fazer o mesmo com outros astros, como
Éris, que foi descoberto na década de 2000 provando que poderia haver
vários outros corpos celestes pequenos e similares. Os astrólogos
afirmam que, como qualquer corpo de conhecimento, também a astrologia
evolui e a adição de novos planetas, asteroides ou outros elementos do
céu não põe em causa, de todo, o conhecimento passado.
O mapa astral, também conhecido como horóscopo, é elaborado a partir
do nascimento de um indivíduo, ou objeto, ou país. A maioria dos céticos
questiona porque o momento do nascimento é tão importante e não o da
fecundação, onde efetivamente se define o DNA de um zigoto, elemento
biológico reconhecidamente influenciador da personalidade e constituição
física de um indivíduo? A resposta dos astrólogos é que é no momento de
nascimento que a entidade se torna um indivíduo. No caso de um país,
por exemplo, não basta a ideia de formar país, mas sim o momento em que a
existência do país é oficializada e já não há retorno.
Se uma mulher que marca uma cesariana não estaria mudando o destino
cósmico de seu filho? A resposta dos astrólogos a esta questão não faz
sentido porque ninguém tem um destino traçado no seu horóscopo – caso
contrário todas as pessoas com um horóscopo igual teriam também destinos
similares.
Alguns céticos questionam o que marca o momento de nascimento. Se um
parto demora 20 horas, o que define o instante exato? As primeiras
contrações, o estouro da bolsa, o aparecimento da cabeça do bebê pela
vagina (ou corte da cesariana) ou o corte do cordão umbilical? Talvez
fosse ainda, o momento mais provável de ser o utilizado na grande parte
dos mapas, aquele que um médico ou enfermeiro resolve anotar como sendo a
hora do nascimento. No caso de nascimento de um país ou objeto, a
definição de um instante exato é ainda mais subjetiva. Em resposta,
alguns astrólogos consideram que aquilo que determina o horóscopo de uma
pessoa é o momento em que ocorre a primeira respiração, embora nas
abordagens mais modernas da astrologia ocidental o momento do corte
umbilical é o que realmente importa. Os astrólogos, em geral, também
reconhecem que os dados de nascimento registrados podem não estar
completamente corretos, razão pela qual podem aplicar técnicas de
retificação para descobrir a hora e minuto exatos de nascimento.
Sendo ainda o momento do nascimento decisivo para a personalidade de
um indivíduo, por exemplo, para a formação de um grande atleta, alguns
céticos questionam se não seria de esperar que em uma olimpíada houvesse
grande concentração de competidores que houvessem nascido em um mesmo
instante? Da mesma forma, normalmente profissionais de uma mesma área
tem comportamentos e personalidades semelhantes, como por exemplo a
letra normalmente ruim dos médicos. Seria esperado que a maioria tivesse
o mesmo horóscopo, mas isso não ocorre. Os astrólogos respondem a este
argumento afirmando que o horóscopo representa apenas o potencial do
indivíduo, e não o seu destino. Como tal, existem diversas variantes
como a genética do indivíduo, meio familiar, social e cultural, etc. que
influenciam as decisões de cada um e devem ser consideradas.
Alguns céticos também questionam porque os astrólogos ignoram alguns
astros, como os satélites Ganimedes e Titã apesar de serem maiores que o
planeta Mercúrio, ao que os astrólogos respondem que nem tudo o que
existe no espaço foi estudado astrologicamente e, nos casos dos
satélites naturais de certos planetas, tal estudo seria difícil visto
que ocupam o mesmo grau do mesmo signo que o planeta que orbitam e, por
consequência, não seria possível diferenciar o efeito de um ou outro. Em
adição, alguns astrólogos defendem que os satélites naturais não fazem
mais que replicar o efeito do planeta que orbitam. Esta teoria explica
porque alguns astrólogos defendem que a Terra rege o signo de Caranguejo
e, por isso, se um dia nascer um bebé fora do planeta Terra, será o
planeta, e não a Lua, que deverá ser considerado na interpretação de um
horóscopo.
Argumentos a favor da astrologia
O que se chama popularmente de astrologia são os horóscopos de jornal, que não são considerados sérios pelos astrólogos.
 |
| Zodíaco |
O Zodíaco tropical é o mais utilizado pelos astrólogos no ocidente.
Esse sistema leva em conta tanto o Equinócio de primavera do hemisfério
norte como a entrada do signo de Áries, iniciando o ano astrológico.
Isso significa dizer que a astrologia tradicional não utiliza as
posições das constelações e sim as estações do ano e os ciclos naturais
para definir os períodos do ano astrológico. O ano astrológico é
dividido em 12 signos de 30 graus cada um. Cada signo leva o nome de uma
constelação por há aproximadamente 2000 anos coincidindo com as
constelações astronômicas. Essa diferença ocorre devido ao movimento de
precessão do eixo terrestre; então, na Astrologia clássica, são mais
importantes os ciclos naturais do nosso planeta em relação ao céu, e
isso é o que define os signos ou símbolos estereótipos.
Uma configuração planetária só se repete uma vez a cada 25.858 anos,
devido ao movimento de precessão. Além disso, segundo os astrólogos,
para duas pessoas terem exatamente as mesmas características e passarem
pelas mesmas experiências de vida, deveriam nascer no mesmo instante, no
mesmo local, com a mesma herança genética, a mesma influência familiar,
social, e cultural – o que é impossível visto que mesmo irmãos gêmeos
que tenham, hipoteticamente, nascido no mesmo segundo, não podem
preencher o mesmo espaço e à medida que crescem, terão que tomar
decisões que os distinguem inevitavelmente.
Conta-se como exemplo o caso de Samuel Hemmings, que teria nascido no
mesmo dia, no mesmo local e quase no mesmo instante que o rei Jorge III
do Reino Unido, em 4 de junho de 1738 e cujas experiências de vida
teriam vários paralelos: casaram e morreram no mesmo dia e, no dia em
que o rei foi coroado, ele abriu um negócio de ferragens. Apenas o fator
social, que não é previsto pela astrologia, impediu que ambos tivessem o
mesmo tipo de negócios, mas ambos se tornaram administradores: um de um
reino, outro de um negócio.
Alguns astrólogos dizem que a influência dos planetas é ocasionada
por energias de origem espiritual, e que por isso mesmo não podem ser
mensuradas pelos cientistas através de aparelhos. Os céticos questionam
porque esses astrólogos deixam de explicar como eles podem interpretar
estas mesmas energias espirituais se não são capazes de medi-las,
enquanto outros astrólogos negam esta abordagem e defendem que a
astrologia e a espiritualidade devem ser mantidas em separado.
 |
| Carl Sagan |
Como já disse Carl Sagan, a astrologia dá significado cósmico às
rotinas dessas pessoas e, dentro de suas estranhas mentes, elas
acreditam que seu destino e sorte são controlados pelas estrelas. Mais
uma razão para não acreditar em nada do que eles dizem. E você. Acredita
ou não? E por quê?
Fontes:
http://gizmodo.uol.com.br/e-por-isso-que-os-horoscopos-sao-um-amontoado-de-besteiras/